"Dias atrás eu discuti com o meu pai. Foi uma discussão boba até, no dia seguinte já estava tudo bem. Mas o engraçado é que, depois desse episódio, eu passei a observar o meu pai melhor...e entendi algumas coisas sobre a nossa relação. Coisas que antes, com a convivência dos meus irmãos, eu não alcançava.
Percebi que, em certo momentos, meu pai é mesmo muito mais infantil do que eu imaginava...e que, em determinadas situações, eu sempre sou a parte racional dessa relação!
E também a mais compreensiva, a mais equilibrada e ponderada, a que não absorve 80% das considerações radicais dele...e que nossas discussões acontecem quando eu perco essa racionalidade, quando um me deixo levar e assumo o meu papel de filha, de mais passional do que racional.(o que dificilmente acontece)
Assumo essa postura sempre quando há alguém mais envolvido na questão: quando ele fere pessoas próximas que não tem trato pra entendê-lo! E isso me irrita! É mais ou menos como: 'Bata na minha face, mas não fira quem eu amo!'
E, pensando bem, depois de 26 anos de convivência com o meu pai entendo hoje, que sou mesmo a única pessoa que pode bater de frente com ele! Sou a única que suporta e entende suas crises e sazonalidades!
Com ele e por ele, me faço de cega, surda, mas jamais de muda!!! E ele me escuta com uma certa amargura às vezes....meu pai não suporta ser confrontado, principalmente se ele sabe que está errado!!!
Na verdade, a conclusão que eu cheguei sobre o meu pai é uma só: ele não nasceu pra função de pai, ele nasceu pra ser AVÔ!!!!
Isso ele faz com maestria!!! Vejo no comportamento que ele tem com o meu afilhado.
Ele consegue me fazer lembrar do meu avô, que desempenhou com perfeição o mesmo papel, talvez com um pouco mais de rigidez, mas mesmo assim com sucesso! O que é completamente aceitável, levando em conta que o meu avô acumulou o papel de pai nos seis anos de convivência que compartilhamos. Quando ele se foi, acho que nunca senti uma dor tão grande...perdi o meu ‘pai imediato’! E ainda hoje sinto uma pontada pela falta dele!!!
Com o tempo, me reaproximei do meu pai, e hoje ele tem o lugar dele da minha vida. Mas não sei se é realmente o papel que ele gostaria!!!
Nos entendemos muito bem, nos respeitamos, o que realmente é uma vitória.
Mas confesso que sinto falta do meu pai-avô!!!
Mesmo assim, na minha relação com o meu pai, sei que sempre terei que ser a parte que cede mais, que compreende mais...”
No comments:
Post a Comment